Ser escritor

Ser escritor -
Fonte: http://transparencia.blogs.sapo.pt/17466.html

Transcende palavras, momentos vãos em cada uma, delineadas pelo vento rompante da criatividade, por vezes inexistente , ora proceloso por dentro, ora descartado de sentimento, por vezes ignorado pelo mundo, é irremediavelmente mais que um sentido de um sentimentalista extremoso, aquém do popularizado, fortemente desanexado do exterior fulminante, martírio por ele martirizado, torna-o meramente mais um. É aprender a esquecer, no noctívago balanço marítimo da vida. Acrescenta pontuação ambígua, esquece-se do verdadeiro poder normativo, afasta-se da aglomeração intencionada para o prestígio majestoso do reconhecimento, assim omite por dentro todo o seu esplendor cognitivo e no horizonte da sua compreensão, cala-se. Parágrafos paradoxais, queixas emocionais inconscientes, perde a credibilidade em linhas escritas à mão, ganha admiração na lógica, por eles deduzidas, primoroso e elegante na expressão, nunca antes sublinhada no livro das suas memórias, quantas letras fundidas? Perdeu a conta, independentemente do número dos papéis contabilizados.
Lisonjeio toda a sua capacidade de demonstração textual, apresento-o como modesto Homem e momentaneamente esqueço-me como sua parte esquecida, induz-me medos fecundos, adrenalina profunda de quem nunca afirmar-se-á egocêntrico narcisista Nas sábias confissões, ou então nas falsas aptidões, enaltece o ridículo dia que não vive, saboreia o prazer do nunca tocado deleite e mergulha no eclipse total do esquecimento. Verbaliza ecos recalcados, perde-se no válido raciocínio, simplesmente recriminado pela opção hermética, dorme matinalmente, prossegue obsessão pelo esquecimento. Por vícios manipula-se, ninguém orgulhar-se-ia da sua prestação social, é meticuloso ao apreciar e é-lhe incutido a arte de silenciar no teu momento depreciativo e mesmo no limite da paciência, resta-lhe linhas cerebrais por completar. Insatisfeito emblemático, diplomata mitológico, arde-lhe vontades, instintos puros, à controvérsia sujeita-se, lança os dados, não tem sorte, joga palavras, subtrai vírgulas, soma vocábulos, lima arestas literárias, une advérbios, inconsciente do teu possível entendimento, incompreendido por natureza, falta-lhe completar certezas, inimaginável mente, infinito pensamento que ainda resiste, nas vicissitudes da sua vida.
É ser escritor, dorido do teu mundo, dois teus olhos que lêem, do teu dito saber, enfim, de tudo o que envolve-te.
Funchal, 17 de Fevereiro de 2007
JoãoGouveia

Fonte: http://transparencia.blogs.sapo.pt/17466.html

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